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Samba das Religiões

 

Oxalá quis fazer um samba,

Inicialmente era só para animar o terreiro de bamba,

Jogando água de cheiro.

Eis que a festa ganhou proporção no mundo inteiro.

Abrangendo qualquer religião.

O primeiro a entrar na roda foi Jesus Cristo,

Só batendo na palma na mão,

Ele dizia: “Com cavaquinho Eu não me arrisco!

Logo depois a galera foi gostando,

Allan Kardec chegou logo pegando o banjo.

Nossa Senhora muito animada começou a cantar,

Formando o vocal de apoio com Iemanjá.

O ritmo estava ficando bom

E lá da Grécia Antiga,

O Messias foi buscar o Poseidon,

Que ficava no pandeiro.

Naquele momento todos eram partideiros.

Exu alcançou o Nirvana,

Enquanto Ganesha usava um guia bacana.

Shiva comandou o som no tantã

E o ronco da cuíca quem fazia era Iansã.

São Sebastião arranhava o cavaquinho,

Lúcifer apareceu meio tímido

Soprando o trompete bem baixinho.

O samba estava na maior agitação,

Adonai estava com o xequerê na mão.

No meio da roda Vishnu tocava violão,

Satanás e Jeová juntos gritavam:

Aqui não existe preconceito não!

O Maomé cantava o hino de Umbanda.

Até Belzebu requebrava como um bamba.

Nadar fazia chorar a viola,

E Deus já tinha um samba pronto na cachola.

Oxum ficou no agogô,

Ninguém tocava tamborim melhor que o Xangô.

Minerva e Marte trouxeram de Roma uma folha de arruda,

Sem parar de batucar estava o Buda.

A galera gritava aleluia, amém e saravá.

Mesmo com o Sol chegando a folia não podia acabar.

A roda de samba era uma verdadeira união,

Virou uma só religião.

O que parecia impossível aconteceu,

Quem comandava o surdo era um Ateu

E o maestro era São Judas Tadeu.

Anúbis e Osíris vieram do Egito,

Moisés e Oxóssi conduziam o agito.

Acredite quem quiser,

Afrodite estava sendo cantada por Noé.

São Jorge fazia a feijoada,

A galera já estava esfomeada.

O samba estava apenas começando,

O Malandro só ficava sambando.

Ninguém sabia quem era Tirthankaras,

Mas foi só ele pegar na flauta

Que houve uma salva de palmas.

Zeus fazia barulho gritando Axé.

Nesta altura até Brahma estava com samba no pé.

Esta poesia não é ofensa a nenhuma religião,

É apenas uma forma expressão!

Para o preconceito diga não!

Valeu meu irmão!

 

                                                                         Rodrigo Champoudry

 

Do meu jeito

 

Quero cometer os meus erros.

Ser apenas eu mesmo,

Sem olhar para trás.

Ignorando a sociedade.

Quero andar sem rumo,

Molhar-me na tempestade.

Não quero explicar meus atos.

Deixe-me tentar atravessar a parede,

E quebrar a minha cara.

Quero cometer os meus erros.

Andar com as minhas próprias pernas,

Questionar meus pensamentos

Sem lei e sem Deus

Para me julgar

Ou dizer o que é certo.

Eu trilho meu caminho,

Eu enfrento as conseqüências,

Eu julgo meus atos.

Quero cometer os meus erros.

Aprendo a minha vida,

Ensino a mim mesmo.

Quero me queimar com o fogo que eu fiz.

O meu céu é o seu inferno!

O meu inferno é a sua casa!

Nosso quintal é o universo!

Eu quero começar pelo fim,

Pintando os muros com o verde que não enxergo.

Quero cometer os meus erros.

As minhas limitações são sempre antes do meu fim.

Quero sambar e ser feliz,

Brincar de ser louco,

Sonhar em ser eu mesmo,

Diferente dos robôs à minha volta.

Não sou mais uma peça na engrenagem.

Sou a mola mestra

Do meu mundo.

Quero cometer os meus erros.

Faço minhas regras,

Conquisto os meus objetivos,

Enfrento tudo e todos.

Liberto meu sorriso,

Vou atrás das minhas respostas.

Quero dormir acordado,

Quero não dormir

E assistir o Sol nascer

Enquanto a Lua se esconde na sua escuridão.

Quero cometer os meus erros.

Quero fazer minhas perguntas,

Entender porque a rosa é rosa.

Assim ela é chamada!

Vou mudar a cor do céu!

Quero ver as minhas cores,

E quebrar as suas regras.

Pagar pelo que eu fiz.

Fazer o que eu sempre quis.

Quero cometer os meus erros.

Assim eu sou feliz!

Um eterno aprendiz!

Um poeta sem chão,

Eu vôo na minha imaginação.

Quero comemorar todo dia dois!

Amar várias vezes a mesma pessoa!

Ser amado por uma pessoa!

Sentir saudade de quem está ao meu lado.

Quero cometer os meus erros.

 

Rodrigo Champoudry

 

Nasceu gigante

 

Peço licença

Aos que fizeram história.

Pois muito acima de qualquer crença,

Eles ficaram na memória.

Declaro minha paixão,

Batendo na palma da mão.

Tudo começou com uma reunião.

Ô Limoeiro, ô limão!

Na casa da Tia Ciata,

Nascia muito mais do que remelexo de mulata.

Era a primeira roda de samba

No terreiro de bamba.

Sob a flauta de Pixinguinha,

Fazia-se o chorinho,

Seguido da marchinha,

Enquanto chorava o cavaquinho,

Nas mãos do Mano Heitor.

Era o samba com amor.

Chegavam junto o jongo, lundu, maxixe e a modinha,

Que desceram com os escravos da Bahia

Nos rituais de Candomblé.

Os malandros já vinham ao mundo com samba no pé.

E eu, humilde brasileiro,

Não batuco no pandeiro,

Não sou passista,

Tampouco ritmista!

Mas pelas veias correm sangue.

Não de artista.

Sangue de sambista!

O que faz de mim o filho do samba?

Não é minha ginga não!

Também não sou um grande folião!

Não é meu talento.

E sim meu argumento.

O samba sufoca a tristeza

Com destreza.

Fazendo do sofrimento,

Um breve momento,

Pois logo chega a alegria,

É o raiar do sol anunciando um novo dia.

Está na voz do povo,

É a chocadeira do ovo.

Peço licença!

João da Baiana, Sinhô, Cartola;

Chico Buarque, Monarco, Paulinho da Viola;

Noel Rosa, Vinicius de Moraes;

Candeia, Ary Barroso, Jorge Aragão;

Ismael Silva, Donga, Jamelão;

Beth Carvalho, Dona Ivone Lara;

Bide, Marçal, Zeca Pagodinho;

Jovelina, Caymmi, Nelson Cavaquinho;

Martinho da Vila, Heitor dos Prazeres;

Clara Nunes, Alcione, Tom Jobim;

Elza Soares, Sombrinha, Herivelto Martins;

Bezerra da Silva, João Gilberto;

Almir Guineto, Reinaldo, Arlindo Cruz;

Moacir Santos, Moreira da Silva, Moacyr Luz;

Carlos Cachaça, Dudu Nobre;

Dicró, Heitorzinho, Silas de Oliveira;

Satur, Leci Brandão, João Nogueira...

Entre tantos outros que aqui não mencionei,

No coração eu os guardarei.

E, no fim desta poesia,

Faço deste samba minha alegria!

 

Rodrigo Champoudry

 

Menininha

 

Você é uma menina

Que me fascina.

Olhinhos brilhantes,

Seus cabelos

São negros diamantes.

Quando me abraças

Eu crio asas.

Seu corpo branquinho,

Viro menininho,

Menino bobinho.

Roubo-te um beijinho.

Moleca menina,

É pequeninha,

Minha bonequinha.

Um beijo no escuro

No seu ouvido eu sussurro.

Nosso primeiro beijo,

Meu maior desejo.

Eu te conquistei!

Sentir-me um rei! 

Você é assim,

Gosta de mim.

Cheia de graça,

Abraça e me amassa.

Voamos nas nuvens,

Dormimos nas nuvens.

Na fotografia,

É só alegria.

Ama meu jeito,

Meu jeito sem jeito,

Garoto atolado,

Sorriso marcado,

Pois o meu sorriso

É seu paraíso.

Esbanja alegria,

De noite e de dia.

Ama emocionada,

Você é amada.

E depois...

Eternamente nós dois.

Nossas mãos apertadas,

Não quero mais nada,

Só minha namorada!

 

Rodrigo Champoudry

 

  Eu gosto de você

 

 

Eu gosto da tristeza quando ela passa bem longe do seu sorriso.

Eu gosto do impossível quando você diz que é impossível viver sem mim.

Eu gosto do nunca porque eu sei que nunca vou te deixar.

Eu gosto das lágrimas quando vejo você chorar de felicidade.

Eu gosto do aperto quando você me abraça forte.

Eu gosto do nada, pois nada vai mudar o que sinto por você.

Eu gosto da saudade quando ouço você dizer que tem saudade de mim.

Eu gosto do escuro, pois quando eu fecho os olhos eu vejo você.

Eu gosto do não quando você diz que não vive sem mim.

Eu gosto da demora quando o nosso beijo é longo.

Eu gosto da pressa quando você corre para me abraçar.

Eu gosto da distância, quando ela não existe entre nós.

Eu gosto de mim quando estou com você.

Eu amo você.

 

Rodrigo Champoudry

Cidade das Flores

 

Vou contar a história de um lugar!

Onde todos os habitantes

Tinham motivo para se orgulhar!

Em seus campos lindas flores.

Era um parque de amores,

Onde as pessoas só sorriam

E as crianças se divertiam.

Imponentes florestas o cercavam,

Suas faunas e floras ricas brilhavam.

Era um lugar belo

Com mais de cem castelos.

Todos lá se conheciam.

Cristalinos riachos nele nasciam,

Os ventos apenas arejavam

Enquanto ao seu ritmo

As folhas dançavam.

Os pássaros coloridos gorjeavam

E seus tenros habitantes

Sorriam a cada instante.

As montanhas encantavam

Àqueles que a olhavam.

Mas chegou certo dia

Junto com uma nuvem fria

Um nobre forasteiro

Em seu cavalo prata,

Que corria pela mata.

Logo ele criou asas

E as pessoas se inquietaram,

Ali na praça elas pararam.

Era um misto de pavor e admiração.

Ficaram paralisadas com o coração na mão.

Logo o visitante se apresentou:

- Sou um mágico trovador!

Desceu de seu cavalo pulcro

E disse palavras calmas

Que purificavam a alma.

Ele só queria lucro.

Das suas mãos nascia a magia

Transformou uma rocha cinza em uma Bouvardia,

Os olhos das pessoas transbordavam alegria.

Com cinestesia,

O mágico prosseguia seduzindo,

Provocando um misto de entorpecimento e euforia.

Se sentindo o dono de todos

O mágico continuava agindo.

Logo ele fez um pedido:

- Preciso de suas flores meus amigos!

Todos da praça corriam,

Para o visitante eles traziam

Quantas flores em suas mãos cabiam.

As flores foram arrancadas dos canteiros

E quando acabaram as flores do campo inteiro

O mágico lhes pediu dinheiro.

Os habitantes cativados

Entregou-lhe suas riquezas

Totalmente maravilhados.

Uma orquídea foi erguida

E a cidade agradecida

Pela suntuosa exibição.

Mas o mago insatisfeito

Achou-se no direito

De mandar na multidão.

Exigiu o maior dos castelos

Construído em pedras preciosas,

Pintado com as cores: verde e amarelo,

Com duas torres esplendorosas.

O mágico voltou-se para as mulheres

E escolhera a mais formosa

Para lavar os seus talheres.

O lugar que era o paraíso

Ficou feio e destruído.

Toda aquela qualidade

Se tornou iniquidade.

As pessoas amarguradas

Estavam todas condenadas.

Agora eram todos detentos,

Homens fedidos e lazarentos

Sem voz para gritar,

Não sobraram flores para contar.

Toda aquela rica beleza

Virou história demudada em tristeza.

A água límpida e cristalina

Era um poço de esgoto, carne podre e naftalina.

Os habitantes se revoltaram

E o mágico eles expulsaram,

Junto dele a inocente mulher

Que não teve culpa alguma,

Mas foi tratada como uma vadia qualquer.

O lugar belo renasceu,

O campo seco e cinza floresceu,

Assim como uma página de livro

O tempo passou,

E certo dia,

Aquele mágico voltou.

As pessoas ignorantes se esqueceram do acontecido.

E com os mesmos artifícios

Os habitantes ele conquistou

E, novamente...

Aquele campo florido acabou.

 

Rodrigo Champoudry

 


 

Volte logo

 

Eu quero ter você aqui comigo

Olhar para você o dia inteiro

Falar que te amo no seu ouvido

E acariciar o seu cabelo

Com você esqueço que a hora passa

Sou imune ao tempo

Se você me jogou algum feitiço

Peço que nunca se desfaça

Pego na sua  mão e me contento

Amanhã que nunca chega

A saudade me invade

Preciso de você hoje e sempre

Eu posso te esperar a eternidade

Pois só com você estou completo

Eu quero você bem perto

Eu vou esperar o tempo que for

Para ter o seu amor

E sentir o seu calor

 

Rodrigo Champoudry

Eu quero ter você aqui comigo

Olhar para você o dia inteiro

Falar que te amo no seu ouvido

E acariciar o seu cabelo

 

Com você esqueço que a hora passa

Sou imune ao tempo

Se você me jogou algum feitiço

Peço que nunca se desfaça

Pego na sua  mão e me contento

 

Amanhã que nunca chega

A saudade me invade

Preciso de você hoje e sempre

Eu posso te esperar a eternidade

Pois só com você estou completo

Eu quero você bem perto

 

Eu vou esperar o tempo que for

Para ter o seu amor

E sentir o seu calor


 

Não existe explicação

 

É este...

Este é o exato momento em que para tudo.

Tento descrever

Mas não consigo.

É uma sensação única.

Quer saber como é?

Venha comigo nesta viagem que eu vou lhe ensinar...

 

...Primeiro os seus pés precisam de asas,

Depois pise em algumas nuvens

E pinte o mar com a Aurora Boreal.

Uma cachoeira de chocolate desce da Lua,

Enquanto você controla a chuva.

Deixe as estrelas te pegarem no colo

Elas vão te levar onde você quiser,

Mas não pode ser real

Tem que ser algo que você ache impossível

Austral, Surreal...

O firmamento negro e estrelado

Divide o espaço

Com um suntuoso pôr do Sol

Que deixa a outra metade do céu

Tingida de laranja vermelho e violeta.

Sinta o gosto das cores,

Embarque na cauda do cometa,

Ouça as músicas tocadas pelas flores,

Sinta a luz te acariciar,

Sinta o cheiro do ar,

O tempo simplesmente não existe.

Tente não acordar.

Se você não compreendeu

É porque ainda não experimentaste o beijo seu.

O beijo que você me deu,

Eu beijei.

Agora ele é meu!


 

 

Existe o pior pesadelo

 

Não adianta pedir um tempo

Se o meu tempo acabou,

A minha vida das minhas mãos se esquivou.

A Morte levou-me em seus braços

Para um vazio,

E mesmo sem cheiro, sem tato, sem cor e sem gosto,

Eu sinto frio.

Minhas memórias se apagaram,

Mas você ainda está lá.

Como suportar não ter mais você

Sem ao menos te perder?

Não esqueça que eu já existi,

Não me apague da memória.

De muito longe

Faço meus últimos pedidos:

Não deixe que eu morra em seu coração.

Não deixe que o meu abraço desapareça,

Sem ao menos abraçá-la uma última vez,

Ao menos nos seus sonhos.

Aprenda a viver sem mim

Lembrando dos nossos bons momentos.

Guarde as minhas alegrias

Dentro de um pote eterno,

Pois quando a minha dor vier buscar suas lágrimas,

Você saberá o momento exato de abri-lo

E resgatar o meu jeito sem jeito

De fazer palhaçada

De trazer boas risadas.

Mesmo depois de morto

Os meus sorrisos jamais morrerão,

O meu amor eu deixei vivo com você,

Pois eu estou aqui,

Morto neste lugar estranho

Chamado nada.

 

Rodrigo Champoudry

 


 

Chega!

 

Eu queria fazer um belo poema,

Mas não consegui

Pois estava num dilema.

Na minha cabeça uma revolta.

Vivo num país hipócrita

Sem volta.

Não vejo solução,

Só conseguia pensar na corrupção,

Então pensei:

Vou fazer uma obra cheia de palavrão.

Chega de vocabulários com pensamentos ricos,

De um inteligente protesto.

Vou fazer uma merda de poesia como manifesto

E, para começar com as palavras fatídicas,

Vou mandar ir tomar no cu

Todos que fazem parte da nossa política.

Jogar estas merdas na privada.

Acabar com esta palhaçada

Dando descarga.

Vou me sentir o coringa do Baralho

Mandando uma corja de políticos

Para a casa do caralho.

Posso ser até hilário,

Mas cansei de ser otário.

Se não gostou, faça a seguinte pergunta:

Todo político é um filho da puta?

Vivemos em um país democrático

E somos proibidos de sermos livres.

Serei um tanto sarcástico.

Foda-se!

O cu do povo não é elástico

Para ser fodido

Por esta cambada de bandido

Que aprovam as leis que favorecem a eles e sua cambada

Com obras superfaturadas.

O Brasil é um país lindo,

Recheado de um povo que vive sorrindo.

O que estraga é esta política fajuta,

Esta corrupção exacerbada,

De um bando de filha da puta.

Vamos acabar com esta palhaçada!

 

Rodrigo Champoudry


 

Certo dia 22

 

A vida é uma breve história

Contada por momentos

Ainda guardados na memória

De mensageiros atentos.

Certas coisas se perdem no caminho,

Às vezes lembranças importantes

Que deveriam ser guardadas com carinho.

Remoemos nossas mágoas,

Estas não deveriam ser guardadas

Para jamais machucar a pessoa amada.

A nossa história é bem simples,

Eu me lembro perfeitamente.

Foi como uma avalanche

Varrendo o que via pela frente.

Tudo em minha volta parou.

Foi um breve momento

E a partir dali minha vida mudou,

No exato momento em que você chegou.

Naquele encontro

Renderia muito mais que um simples conto.

Foi muito maior que um início, um meio e um fim.

Uma história que está sendo escrita

Por você e por mim.

Por vezes nos esquecemos de celebrar esta data,

Foi a primeira vez que a vi,

Isto eu jamais esqueci.

Naquele momento eu já te amava,

Mesmo antes de trocarmos uma só palavra.

O sonho se tornou realidade,

Pois o que eu sinto por você é amor de verdade.

Uma história, um conto ou uma poesia.

Nada é capaz de elucidar

Um momento que foi pura magia.

O que há oito anos começou

Foi a mais bela de toda história de amor.

 

Rodrigo Champoudry


 

Irresistível tentação

 

Sinto um doce aroma,

Capaz de me deixar em estado de coma.

Não sei explicar,

Este amor que sempre recomeça

Ora sem pressa, ora depressa.

E em algum momento vai acabar.

Um amor sem brigas,

Sem intrigas.

Quando vejo outro te possuindo,

Não sinto ciúme.

Às vezes eu me pego sorrindo,

Pois logo você será minha.

Eu te desejo,

Você realiza o meu ensejo.

Eu arranco seu invólucro

Para tê-la em minha mão,

Enquanto durar nossa atração.

Pois logo acabará esta sensação

E um vazio marcará meu coração.

Uma breve satisfação me tomará por completo,

Isto é certo!

E, novamente

Serei domado pela vontade de ter você

Que está sempre em minha mente.

Transformando-me em seu dependente.

Como posso controlar-me

Diante de sua irresistível tentação?

Entre nós há muito mais do que paixão.

Quando chega o seu fim,

Você sempre volta para mim,

Quando estou com você,

Eu sinto um forte arrebate.

E por isso eu fiz esta poesia

Sobre a barra de chocolate.

 

Rodrigo  Champoudry


 

Pergunta sem resposta

 

As perguntas são infinitas:

Quem sou eu?

O que eu sou?

Para onde vou?

Por que estou aqui?

As respostas não existem.

É fácil responder quando se há crença,

O difícil é ouvir as mesmas respostas vagas

Quando se é cético.

Eu creio no que vejo,

Não duvido do que não vejo.

Apenas questiono,

Por quê?!

Não é a falta de crença que destrói o mundo

É o excesso dela.

Isso não é uma resposta

É um pensamento.

Sim, eu penso.

Sei o poder do questionamento,

Não conheço o poder da resposta.

Sou um ser racional que questiona

Mesmo quando não existe uma resposta.

Como?

Olhe ao seu redor.

Por que você existe?

Por que sente medo?

Por que não desiste?

Por que insiste?

Se você pode fazer uma pergunta,

Tem o direito de duvidar da resposta.

Ouvir não é escutar,

Dizer não é falar.

Eu digo muita coisa

Sem falar uma palavra.

Vejo um mundo que não enxergo

Tenho uma vida que ninguém tem.

Eu sou o que sou,

Não sou quem você quer que eu seja.

Eu sou assim.

 

 

Rodrigo Champoudry


 

Sou uma criança feliz

 

Porque devemos deixar de ser criança?

Abandonar nossas lembranças da infância.

A bagunça e brincadeiras

Com amigos da escola e da vizinhança.

Eu não me preocupava com o tempo,

Somente quando minha mãe chamava pra jantar,

Eu tinha que parar de brincar para estudar.

Ah, aquele banho que eu odiava tomar.

Eu saía do banheiro com pé sujo,

E a minha mãe mandava eu voltar.

Porque a infância tem que acabar?

São recordações que eu não quero apagar.

Não deixarei morrer minha molecagem,

Eu grito, brinco e corro.

Porque eu ainda tenho coragem

De dizer que sou bobo,

Sem deixar de lado a malandragem.

Para crescer,

Não é preciso entristecer.

Deixe o coração se abrir,

Olhe para o mundo ao seu redor,

Ele não te deixa sorrir.

Então o ignore,

Não deixe que a fumaça cinza te vença,

A tristeza é uma doença,

Que chega e te domina sem pedir licença.

Então vamos falar merda!

Vamos dar o troco na mesma moeda.

Dançar sem música,

Pular de barriga na água,

Fazer alguma coisa estúpida.

Jogar bola sorrindo,

Mesmo quando levar um drible lindo.

Vamos voltar a ser criança,

Dê à sua felicidade um facho de esperança.

Esqueça por um breve momento a responsabilidade,

Dê asas para a espontaneidade.

Viva todos os dias,

Escreva a sua própria liberdade,

Pule de alegria.

Fale coisas sem sentido,

Ria sozinho mesmo sem motivo.

Vá por um caminho diferente,

Seja uma criança contente.

Depois de sorrir sem olhar o relógio,

Não deixe de ser aquele eterno aprendiz.

Olhe para o horizonte e diga:

Sou uma criança feliz!

 

 

 

Rodrigo Champoudry

 


Mãe

 

Mãe, como dizer o que sinto em palavras,

Se estas faltam no dicionário para expressar o que diz o meu amor.

Mãe, resumida nessas três letrinhas,

Estão reunidos momentos e lembranças perenais,

Obras assinadas pelo mais perfeito arquiteto da vida.

Mãe, cintilas nos seus olhos a felicidade de ver o meu primeiro passo,

Olhos teus que são as estrelas da Terra, que iluminam o meu caminhar.

Mãe, como conter a emoção que transborda em forma de lágrimas

Depois de presenciar a sonoridade da minha primeira palavra,

Que soa como uma coisa sem sentido para todos,

Mas que para você nitidamente é um solene “mamãe”.

Mãe, de todas as mais belas palavras a você ditas,

São meras palavras comparando ao sentimento meu.

Mãe, essa é uma homenagem do seu filho

À pessoa mais importante do mundo,

Você!

 

Rodrigo Champoudry

 


 

Dois de janeiro

 

São suas mãos que escrevem minhas poesias.

Quando toca o meu corpo

Com um abraço apertado,

Ou um leve toque,

Como uma pluma vagando pelo meu rosto.

Eu não crio versos,

Você os cria para mim.

As palavras surgem no ar,

A cada beijo que você me dá.

O meu trabalho é somente organiza-las.

O que seria de um poeta sem inspiração?

Uma carta em branco,

Uma caneta seca,

Um rosto sem sorriso,

Uma estrela sem brilho.

Eu sem você.

Se eu levo dias fazendo um desenho,

É porque você trouxe as cores ao meu mundo.

Se eu escrevo poesias,

É porque você deu palavras aos meus versos.

Se eu dou risadas ao vento,

É porque você aceitou o meu jeito bobo de ser.

Se eu aprendi a amar,

É porque você me ensinou o que é o amor.

Pois se um dia me perguntarem:

O que é o amor?

Eu não saberei responder,

Nem ao menos explicar.

Apenas sinto.

Assim como o mar tem ondas,

As flores têm cores,

O Sol brilha,

O fogo queima,

A saudade dói,

O sorriso vira alegria,

Não há explicação!

Eu simplesmente amo!

 

Rodrigo Champoudry

 

 

Fatos

 

Tem coisas que não há como se provar.

Pois não há palavras que explicam,

Atos que exemplificam,

Nem gestos que justificam.

Como posso provar que te amo?

Não há como provar uma coisa tão intensa,

Que nasceu de forma avassaladora,

Como um vulcão em eterna erupção.

Numa simples e inocente conversa.

Eu percebi que de todas as mulheres,

Você foi a escolhida.

Para ficar ao meu lado

Pelo resto de minha vida.

Eu suportaria tudo neste mundo,

Menos olhar-me no espelho e ver que falta você.

Logo a minha vida,

Que é ditada pelos seus passos,

Ao ritmo de seu coração.

Eu não poderia viver sem você.

Assim como o frio é a ausência de calor,

O escuro é a ausência de luz.

A minha tristeza

É a ausência do seu sorriso, de suas palavras e de seus carinhos.

Como pode passar pela sua cabeça que eu deixaria de te amar?

Seria o mesmo de uma onda sem mar,

Ou as estrelas sem brilho.

Não da para imaginar o frio sem o arrepio.

Pois sem você,

Minha vida não tem vida.

Você é a minha razão.

Você é a minha imaginação.

Você é a minha emoção.

Eu sou você.

 

Rodrigo Champoudry

 


 

Os dois lados da moeda

 

Ah! Meu Rio de Janeiro,

Calor e praia o ano inteiro.

Terra de gente bamba,

De domingo a domingo temos samba.

À noite a roda continua sob a bênção da lua,

Na calçada musicada de sua rua.

No berço do samba nasceu Noel Rosa.

Tu és a Cidade Maravilhosa!

Temos uma linguagem própria,

Um tom tipicamente carioca.

Em dia de Maracanã lotado,

É festa somente para um lado.

A arquibancada vira uma tela,

Para um mar rubro negro pintar em aquarela.

A selva de pedra expõe em sua aresta,

Uma imponente floresta,

Que mistura o verde e o branco na cidade.

São as cores da minha Mocidade.

A capital do samba ainda é Madureira.

O sinônimo de tradição é a Portela e a Mangueira.

Muitos não eram nascidos,

Mas as músicas sempre encantarão os ouvidos.

Da Praça Onze já se ouvira um chorinho,

Era a nata aquecendo o cavaquinho.

Bossa Nova nos bares de Ipanema,

Os malandros da Lapa boêmia.

Paquetá que mora no mar,

Sentindo na Imbuca o vento cantar,

O sorriso do meu Rio não pode parar,

Pois o Cristo Redentor quer te abraçar!

O que vamos deixar de herança?

Se pusermos o contra peso na balança.

Rio da incoerência,

Em todo lugar vejo a violência.

Abrindo os braços para os gringos,

Ignorando os mendigos,

A realidade é nua e crua,

Expostas nos meninos drogados de rua.

Buracos em toda a parte,

Vandalismo para gente burra é arte.

Preconceitos mascarados em crendice,

Ignorância religiosa para mim é burrice!

O charme das águas de março fechando o verão,

Inundam as ruas trazendo doença e destruição.

Uma criança de fuzil na mão

É o reflexo dos políticos em rede aberta de corrupção.

O povão se iguala aos ricos no carnaval,

Sem esquecer a foto na coluna social,

Que separa o rico do animal.

Nosso povo está sempre sorrindo,

Pois nesta Cidade Maravilhosa...

...até o esgoto podre é lindo!

 

Rodrigo Champoudry

 


Crônicas sobre o meu tempo

 

Muitas vezes pedimos para que o tempo passe mais rápido, outras vezes caímos em contradição e gostaríamos de ter o poder de pará-lo. Seria fácil! É só quebrar o relógio! Mas o tempo lá fora não pararia, e você perderia tempo, este bem precioso que não queremos abrir mão, nem que seja para não fazer nada e reclamar depois que não tem tempo pra nada.

         Tic-Tac dia e noite, noite e dia, neste ritmo frenético minha mãe dizia o que eu tinha que fazer nas primeiras horas do dia: Hora de acordar, hora ir pra escola... Já na escola quem ditava o ritmo era o sinal que estava sempre 5 minutos atrasado do relógio de parede da sala de aula. Mas a hora era sempre mais devagar quando estava perto da hora do recreio, mas depois do recreio passava rápido e logo era hora de ir embora.

         Ah, meu relógio de parede! Marcava sempre 13 horas quando o almoço estava na mesa, o meu relógio nunca errava. Mas logo depois ele dava uma de dedo duro e avisava para a minha mãe que era hora do banho, e depois do banho o dever de casa. Sentia raiva do meu relógio redondo pendurado na parede da cozinha, preto e branco com grandes números de um a doze e três ponteiros que não paravam de rodar, às vezes faziam um tic-tac insuportável. Mas o meu relógio se redimia quando falava para minha mãe que eu já podia brincar, e brincando eu esquecia do tempo, até ser chamado para tomar banho e jantar. Como eu odiava o tempo que parecia andar mais rápido enquanto eu brincava do que enquanto eu estudava.

Que relação de amor e ódio é essa que eu tenho pelo tempo? Será que todos têm? Por que eu tinha que ir dormir sem sono? Esse tal tempo é poderoso, ele não para nunca, e ainda põe todos ao seu dispor. Menos eu, que enquanto estava sem sono eu olhava para a janela e o via passar na maior tranquilidade, pensando no novo dia que o sol traria na manhã seguinte.

Hoje eu sou escravo do meu tempo, sempre olho para as paredes à procura de um relógio. Mas ainda guardo o velho hábito da infância de olhar para janela sem sono antes de dormir, então eu olho para o meu velho relógio de parede e penso “estou livre de você, pelo menos até acordar”.

         Neste momento eu queria ser um gato, que recebe carinho não se preocupa com o tempo, mas este felino come ração, “eca!”. Prefiro ver a hora e olhar para o meu relógio de parede. Pois já estou atrasado.

 

 

Rodrigo Champoudry

 

 


 

É comum sonhar

 

O sonho é a mais tênue linha entre a loucura e a lucidez;

É uma fuga inconsciente da realidade;

A criação de um mundo peculiar;

Onde o dia conta histórias diferentes

E a noite chora alegremente.

É uma construção do inexistente desejado.

É a realização do impossível!

Nos passos dos sonhos nascem as dúvidas,

Perguntas sem respostas,

Respostas sem sentido.

A estrada de uma só direção,

Perde o rumo.

O final desaparece no horizonte,

Pondo um ponto de interrogação no caminho.

Uma neblina me envolve,

Fecho os olhos e enxergo tudo,

Beijo a boca que nunca beijei.

O mesmo sonho que nunca sonhei.

O vulto que me segue,

Nunca me alcança.

A lua que eu vejo,

Não aparece para os outros.

O sorriso da lua se expõe,

Observa-me com olho fulgente,

Em seguida a lua abruma,

Num sono profundo e breve

De face negra invisível

Para sorrir em outros sonhos.

Somos imortais.

Eternidade com o fim certo.

Estamos vivos!

Enganando a morte que vem para todos,

Contrastando com a vida que ninguém tem.

 

Rodrigo Champoudry

 


 

Foto

 

Dentro de uma foto,

Cabe um pedacinho de cada momento

Que passei ao seu lado.

É na foto que eu recorro

Quando a saudade me consome,

Pois você está ali na minha frente

E mesmo sem poder tocá-la,

Sinto-me feliz,

Pois você está sempre sorrindo.

Na foto está a lembrança

Dos momentos maravilhosos que passamos.

Penso nas fotos que tiramos,

Nos álbuns que completamos

E nos pedacinhos que guardamos.

A foto é a saudade que podemos pegar,

Um pedaço de sentimento em sua forma material,

Saudade essa que aumenta com a distância,

Mas desaparece com sua presença.

Quando eu a tenho nos meus braços,

Pobre da saudade,

Fica dentro de uma foto!

 

Rodrigo Champoudry

 


 

Sol

 

O Sol brilha semeando sua luz e calor,

Os campos floridos ganham vida,

E recebem todo o seu brilho.

Para retribuir o abraço radiante,

As flores emergem no mar colorido

Dançando ao ritmo do vento.

Aclamado com as folhas a balançar suavemente,

Como se quisesse tocar seu rosto

Com a delicadeza de uma pluma.

Eis que a beleza do Sol cega meus olhos,

O que está nítido na minha frente,

Vira um borrão sem sentido.

Fico perdido,

Dando passos sem saber para onde ir.

Ver sem enxergar.

Talvez os meus olhos estivessem acostumados

Não com a escuridão,

Mas sim com uma neblina.

Do lago doce de água cristalina,

Agitada...

Não pela brisa,

Mas sim pelo furacão que precede a tempestade.

Relâmpagos cortam os céus,

Os trovões atordoam a fleuma.

Mas as flores teimam em expor sua vivacidade,

Desafiando a imprevisibilidade da tempestade,

O fragor do trovão

E a balbúrdia do furacão.

Não são o suficiente para conter o brilho do Sol,

Que atravessa as nuvens,

Refletindo nas calmas águas do lago,

Voltando a iluminar

O que a cegueira não havia estragado.

O fundo do lago continua inexplorado.

O Sol?

Ah, o Sol!

Continua ali esperando

A noite chegar

Com a Lua a acompanhar.

Depois é só esperar,

Deixar que o tempo dirá,

Para que direção caminhar.

 

Rodrigo Champoudry

 


 

Imaginação, sonho e realidade

 

Ilusão está nos olhos de quem não vê.

Meus pés não tocam o chão,

A minha realidade é o seu sonho.

Galopes de centauros alados,

Estremecem as nuvens.

Morte ao alcance das mãos

 

Dorme na escuridão da noite,

Anoitecem ao nascer do Sol,

 

Mesmo assim sinto o cheiro de Rosas,

Invólucro com enxofre.

Nada mais me entorpece.

Humanos patéticos me enojam.

Almas dançam ao vento.

 

Mar verde sem cor.

Enxame de estrelas que descem a ponte pintada pela chuva.

Não vejo sentido no que faz sentido!

Tenho minhas convicções!

Enxergo as mesmas coisas de forma diferente.

 

É inexplicável para quem não vive minha vida.

 

Sobrou para você uma interrogação!

O seu mundo não existe.

Nada é o que parece ser.

Homens miram o céu e esperam por milagre.

Onde está o planeta azul se ele está cinza.

 

Rejeito o sangue que brota nas árvores.

Estou sorrindo sem motivos!

Alguém me espera em algum lugar.

Labirinto em nossas cabeças é nossa real ilusão!

 

Rodrigo Champoudry

 

Minha Estrela Guia

 

O choro que ouço,

Não é de tristeza.

Surge como o despertar de um dia.

O roçar nas cordas,

Transformam-se em melodia,

É a música em sua pura forma,

Sinfonia!

As mãos não cansam,

As palmas acompanham a percussão.

É a raiz da minha cidade,

Tão bonita é a minha Mocidade.

O choro continua,

O som me embala,

No ritmo que corre pelas minhas veias.

Sinto o meu coração que não bate.

Batuca!

Como as mãos no pandeiro,

Embalando o meu corpo inteiro,

Iniciado no terreiro,

Com pausa para o Sol se exibir.

Mas com o nascer da Lua,

Recomeça no fundo de quintal.

O meu samba é eterno,

É muito mais que carnaval.

O samba velho

É sempre novo.

Imortalizando o seu compositor.

É a identidade de um povo.

A velha guarda é um pedaço da história,

Que passa, mas não sai da memória.

O passado que jamais será apagado.

Os pés descalços me levam

Ao choro do cavaquinho.

O degrau que almejo,

É sempre um diferente chorinho.

O tamborim e o agogô

Acompanham o ronco da cuíca.

Assim o samba não morre,

Apenas ressuscita.

 

 

Rodrigo Champoudry

 


 

O segredo da Lua

 

Uma vez eu perguntei para a Lua:

Porque brilhaste para mim?

Um brilho especial,

Que somente eu enxergava.

Mas nunca ouvi a resposta.

A Lua se calava entre as nuvens.

E saía com o nascer do Sol.

Sempre prateada ela me vigiava,

Todas as noites,

Com seu olhar imponente

Cercada de estrelas.

Eis que ela surge entre as nuvens outra vez,

Sempre calada observando-me

Querendo me dizer algo.

Sua vivacidade contrastava com o fundo negro.

Era uma noite especial!

A Lua estava dourada,

Parecia estender-me a mão,

Para que eu pudesse alcançá-la.

Essa era a resposta que eu esperava,

Mesmo calada,

Contava-me segredos.

A Lua enviou-me uma estrela.

Que caiu em meus braços

Aquele dia foi inesquecível.

A estrela da Terra possuía cabelos negros

E um sorriso encantador!

Passei a entender porque a Lua cintilava.

Pois roubava a luz que seus olhos irradiavam.

Você virou minha namorada.

A Lua agradeceu-me,

Pois acolhi o presente que ela havia me dado

Mais tarde a Lua sorria

Minguando em sua própria escuridão,

Poupando-se para brilhar novamente para mim.

Trazendo um pouco do seu brilho,

Para que a saudade não me mate.

Pois no breve momento que vejo a Lua,

É a sua luz que reflete em meus olhos.

Pois sentir saudade dos seus beijos,

Significa que quero tê-la sempre perto de mim.

Ao olhar-me no espelho,

Seu reflexo estará ao meu lado.

Ao dormir, você estará nos meus sonhos.

No natal você é o meu maior presente.

Que recebi num certo dia dois.

Você é a resposta da Lua.

A resposta é o amor.

 

Rodrigo Champoudry


 

Olhe para o seu rabo 

 

Que tal aprendermos a olhar a verdade?

A face implícita da crueldade,

Um pouco de prazer e desgosto.

Cortando com faca a garganta,

Enquanto o esgoto jorra do fosso.

O choro já não adianta.

Somos humanos porque achamos que sabemos!

Sabemos o que?

Aceitar sem perguntar por quê?

Acreditar sem questionar?

Batemos palmas para um espetáculo

E torcemos pelo próximo ladrão,

Votando numa democrática obrigação.

Pelo “filho da puta” que representará o povo no Planalto,

Políticos corruptos com o salário cada vez mais alto.

Policiais e bandidos de mãos dadas

E nos programas de TV só vejo palhaçada.

Vamos nos entorpecer

Com drogas no cérebro de quem não tem,

Babar pelas bundas frutas de quem não pensa.

Pedir a bênção.

Aos padres maniqueístas,

E pastores que roubam fiéis burros

Que adoram o Deus do sussurro.

Um Senhor ditador e egoísta,

De glória e natureza dubitativa.

Estou sem alternativa.

Vejo pessoas estúpidas e ignorantes,

Que se denominam humanos

Pelo simples fato de serem pensantes.

Seres bípedes de ímpar vaidade,

Que alimentam a maldade.

Celebramos a morte da língua com jargões,

Festejamos a prisão de assassinos, traficantes e ladrões.

Pagamos caro para que eles vivam na gaiola

E ao saírem matarão mais uma senhora.

Somos todos idiotas!

Produzidos pela nossa escola.

Meu time foi campeão!

Temos sol, carnaval e verão.

No nosso mundinho em Estado de putrefação.

Trabalhamos para nada.

Sacudimos uma bandeira rasgada.

Ostentamos o vício dourado.

Somos gado marcado,

Com inveja de quem tem.

No espelho não somos ninguém,

Mas tentamos ser outro alguém.

Somos marionetes manipuladas

Eternamente de mãos atadas

No inferno de carta marcada.

A vida na árvore ressecada,

Na sombra negra ensangüentada.

Em cada palavra homicida,

Não há depressão,

Não sou um louco suicida.

Neste universo sem presença,

Somos uma doença.

Sei a força que preciso,

Basta-me abrir um sorriso!

 

 Rodrigo Champoudry


 

Gota de chuva

 

A chuva que cai, corta o ar até chegar ao rosto teu.

Cobre teu corpo de mel límpido;

Escorre a gota pelas pétalas de sua face,

Que dorme em sua boca.

Outra gota insiste em realizar meus ensejos,

Desce pelo seu pescoço

Até chegar aos seios teus,

Aguçando minha vontade de vê-la

Totalmente nua e crua,

Na deserta rua

Iluminada pelo seu corpo molhado.

Água que me serve de alucinógeno,

Envenenando minha mente,

Levando-me a desejar-te.

Inconscientemente morto,

Dialogo com a morte

Que me rejeita.

Nem mesmo minha desgraça me aceita!

Sobrou o meu reflexo,

Que na cristalina poça

Reflete você,

Logo você,

Que atormenta meu sono,

Mesmo quando está longe.

Dos meus sonhos restam a saudade

Nossa distância torna-se cruel.

Enquanto a chuva cai sobre minha cabeça,

Nuvens negras escondem a luz,

Mas as gotas, que caem em meus olhos,

É pó de estrela brilhante,

Que me cega.

E mesmo quando não a vejo,

Eu enxergo você.

 

Rodrigo Champoudry


 

18 de Fevereiro de 1985

 

O Sol pediu-lhe licença para espalhar sua luz e calor;

As rosas se abriram mesmo sem motivo para desabrochar;

E mesmo sem saber, você já era a dona do meu amor;

O mundo sorriu para a mais perfeita pessoa chegar;

 

À noite, as nuvens se esvaíram para o sorriso da lua;

O colorido nunca teve antes tantas cores;

De repente, o vento forte soprou leve como uma pluma;

Os jardins secos se cobriram de flores.

 

Os tambores rufavam

Para uma estrela que caía.

As cornetas soavam,

Dando asas à minha poesia.

 

Em palavras, expresso meu pensamento,

Pedindo perdão!

Por contar seus mais íntimos segredos

Nesta humilde canção.

 

Embalado nas batidas do meu coração,

Canto o seu nome.

As belezas da vida a usam como inspiração!

Enquanto o amor que sinto por ti, me consome.

 

 Rodrigo Champoudry


 

Neblina

 

Neblina que cobre os meus olhos

Em pouco tempo instalou-se a dúvida

Fincando uma estaca

Que cresce fundo como raiz

Dúvida ao ritmo forte

Ao rufar de um tambor

No movimento contínuo

Percorreu o mesmo caminho antes de parar

Atrás está à minha frente

Na frente um único sorriso

É confuso e estranho

Mas é disso que eu preciso

Indecisão de um longo caminho

Foi de repente que acabou o vento

Parou o moinho

Alarde que me encanta

Corro sem fugir

Um grito sufocado

Jeito de menina

Ainda estou cego

Envolvido pela neblina...

 

Rodrigo Champoudry

 

 

Para inaugurar as poesias, utilizarei a minha obra que ficou entre as 20 classificadas, em todo o país, no 2º Concurso de Poesias ABRACI, realizado em dezembro de 2008 na Academia Brasileira de Letras. O imortal Carlos Nejar esteve presente no evento que foi realizado pela jornalista Denize Vieira, que no palco elogiou-me por fazer parte da nova geração de poetas.

 O Sorriso

 

A vida é movida pelo sorriso,

Que suporta o sofrimento e supera a dor.

É a expressão mais sincera,

Mas que facilmente se altera.

Dita meus atos mais felizes,

Transporto meu riso para os outros.

Muitos não compreendem

E me chamam de doido,

Alguns me chamam de palhaço.

De longe, sou louco,

De perto, sou engraçado,

Sou de tudo um pouco!

Uma alucinação transparente.

Não guardo comigo a alegria,

Espalho pelo ar, rindo noite e dia.

Divirto-me sozinho,

Mas prefiro uma boa companhia.

Para sorrir comigo,

Pode ser uma pessoa desconhecida, um parente ou um amigo.

Dou risadas por amor!

Dou risadas de felicidade!

Dou risadas para esconder minha dor!

Dou risadas da sociedade!

Pessoas tristes, escravas do tempo.

Sou independente e livre!

Dou risadas ao vento.

Tenho motivos para sorrir.

Liberto-me da desgraça que me cerca,

Ignoro a face sofrida

E abro um sorriso para a vida.

 

Rodrigo Champoudry